quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ACIDENTES DE TRABALHO DIMINUEM, MAS MORTES AUMENTAM.

A 19ª edição do Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS), divulgada nesta terça-feira, 25 de outubro, apontou uma diminuição dos acidentes de trabalho em 2010 com relação a 2009. Mas o número de trabalhadores que perderam a vida por acidente de trabalho aumentou no último ano.

Segundo o Anuário, em 2010 foram registrados 701.496 acidentes contra 723.452 em 2009. Apesar disso, foram registradas 2.712 mortes no último ano, sendo que em 2009 foram registradas 2.560.

De um modo geral, o número de acidentes foi menor no ano passado em relação aos anteriores. Foram 525.206 com CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) registrada, sendo 414.824 acidentes típicos e 15.593 relacionados a doenças ocupacionais, enquanto que no caso dos acidentes de trajeto houve elevação, saltando de 90.180 em 2009 para 94.789 casos em 2010. O número de acidentes sem CAT registrada também foi mais baixo, 176.290.

Em todas as regiões do país a quantidade de acidentes diminuiu. No Norte foram 29.220, 89.485 no Nordeste, 378.564 no Sudeste, 156.853 no Sul e 47.374 no Centro-Oeste. Já o número de óbitos aumentou em todas as regiões, sendo 170 no Norte, 446 no Nordeste, 1.288 no Sudeste, 497 no Sul e 311 no Centro-Oeste.

Os dados do Anuário Estatístico estão disponíveis na guia Estatísticas do site do Ministério da Previdência Social (
www.previdencia.gov.br). Para acessá-los diretamente, clique em :

http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=1144

Fonte: Revista Proteção, 26.10.2011

terça-feira, 25 de outubro de 2011

CARTA DE BRASÍLIA ALINHA DIRETRIZES PARA PREVENIR ACIDENTES DE TRABALHO

Divulgada ao fim do Seminário de Prevenção de Acidentes do Trabalho realizado em (20 e 21.10) pelo Tribunal Superior do Trabalho, a Carta de Brasília, assinada pelo participantes, propõe uma tomada de posição que envolva Estado, empresas, trabalhadores e a sociedade em geral para atacar de forma eficiente o grave problema dos acidentes de trabalho no País.

Ao longo dos dois dias do Seminário, especialistas de diversos campos do conhecimento expuseram seus pontos de vista, consolidados na Carta, que prega a necessidade de instituição de políticas públicas “realistas e eficazes” para solucionar um problema que “atinge diretamente a dignidade da pessoa humana”.
Leia, abaixo, a íntegra do documento:


CARTA DE BRASÍLIA SOBRE PREVENÇÃO DE ACIDENTES DE TRABALHO

Os participantes do Seminário de Prevenção de Acidentes de Trabalho, organizado e promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho, no período de 20 a 21 de outubro de 2011, vêm a público para:

1. expressar perplexidade e preocupação com o número acentuado e crescente de acidentes e doenças relacionados ao trabalho no País, que atinge diretamente a dignidade da pessoa humana, um dos fundamentos da República;

2. alertar as empresas de que acidentes de trabalho são previsíveis e, por isso, evitáveis, razão pela qual prevenção e gestão de riscos constituem investimento, enquanto reparação de danos implica prejuízo;

3. recordar que é dever do empregador cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho (CLT, art. 157), obrigação do empregado colaborar no seu cumprimento (CLT, art. 158), e atribuição do Estado promover a respectiva fiscalização (CLT, art. 156), de modo a construir-se uma cultura de prevenção de acidentes;

4. afirmar que um ambiente de trabalho seguro e saudável deve ter primazia sobre o recebimento de adicionais compensatórios pelas condições desfavoráveis;

5. registrar que o avanço do Direito Ambiental deve alcançar os locais de trabalho, para assegurar aos trabalhadores um meio ambiente seguro, saudável e ecologicamente equilibrado;

6. exigir o fiel cumprimento do art. 14 da Convenção 155 da OIT, em vigor no Brasil desde 1993, segundo o qual questões de segurança, higiene e meio ambiente do trabalho devem ser inseridas em todos os níveis de ensino e de treinamento, incluídos aqueles do ensino superior técnico e profissional, com o objetivo de satisfazer as necessidades de treinamento de todos os trabalhadores;

7. conclamar pela ratificação urgente da Convenção 187 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, sobre o Marco Promocional da Segurança e Saúde no Trabalho;

8. encarecer aos poderes constituídos a implementação, com urgência, de política nacional sobre segurança, saúde e meio ambiente do trabalho;

9. proclamar a necessidade de maiores investimentos na produção e difusão de conhecimento sobre Segurança e Saúde no Trabalho e Meio Ambiente, bem como de uniformidade e maior presteza na divulgação das estatísticas oficiais relativas aos acidentes de trabalho no País, a fim de auxiliar a implementação de políticas públicas realistas e eficazes;

10. convocar toda a sociedade para uma mobilização e conjugação de esforços na busca de medidas concretas para reduzir ao mínimo possível os acidentes e doenças relacionados ao trabalho, com os quais todos perdem.

Brasília, 21 de outubro de 2011.

Fonte: Tribunal Superior do Trabalho, 24.10.2011

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

FÁBRICA DA SADIA PEGA FOGO

Publicação: Quarta-feira, 19/10/2011 às 19:19:46 Atualização: 20/10/2011 às 00:24:57

Susto na fábrica da Sadia em Samambaia. Por volta das 18h30 desta quarta-feira (19), um galpão conhecido por salsicharia começou a pegar fogo. Na hora do incêndio, cerca de 200 funcionários estavam no local, mas ninguém ficou ferido. Os bombeiros gastaram cerca de três horas para controlar as chamas. Participaram da ação 72 militares do Corpo de Bombeiros com 16 viaturas.

Quando o incêndio começou, a maior parte dos funcionários estava no refeitório, em horário de jantar. O sistema de combate a incêndios entrou em funcionamento imediatamente, evitando que a situação se agravasse. A maior preocupação era evitar que o fogo atingisse os cilindros de amônia – um gás venenoso que é usado nos tubos de refrigeração.

Apesar de o incêndio não ter se espalhado até a área, uma parte do teto da salsicharia caiu, atingindo uma das câmaras de amônia que refrigeravam as máquinas no local. O gás que vazou atrasou o trabalho dos bombeiros, que precisaram esperar por máscaras de oxigênio para continuar o combate ao fogo. Os acessórios foram enviados em helicóptero.

Por causa do susto, três pessoas foram levadas para o Hospital Regional de Samambaia. Elas não apresentaram sinais de intoxicação e foram liberadas ainda ontem. Uma funcionária da fábrica, que preferiu não ser identificada, descreveu o momento em que o incêndio começou. “Não havia muitas pessoas no galpão porque era horário de jantar. Estávamos trabalhando quando alguém começou a gritar ‘Fogo! Fogo!’. O alarme de incêndio foi acionado imediatamente e todas as saídas de emergência foram abertas. A equipe de brigadistas entrou em ação, nos conduzindo para a saída mais próxima. A fábrica foi evacuada rapidamente”, conta a funcionária.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o fogo aumentou rapidamente por conta dos combustíveis guardados no galpão. Embalagens, isopores e até lãs de vidro alimentaram as chamas durante as mais de três horas.

Os bombeiros elogiam a equipe de brigadistas da fábrica. “O sistema de incêndio funcionou corretamente e a equipe é treinada. Isso, com certeza, contribuiu para que o incêndio não fizesse vítimas e não atingisse proporções maiores”, informou o coronel Luiz Blumn.

Reforço dos brigadistas

De acordo com o coronel, durante a madrugada, os bombeiros trabalhariam fazendo rescaldo, serviço que consiste em apagar os pequenos focos restantes. Uma perícia para identificar as causas do incêndio deve ser feita ainda hoje.

Paralelamente ao trabalho dos bombeiros, o gerente-executivo da Sadia, unidade de Brasília, Joseano Trindade, mobilizou uma equipe para tentar contabilizar os prejuízos. Os caminhoneiros que chegaram ao local para descarregar frangos para serem abatidos no fim da madrugada, levaram um susto. O restante das entregas foi suspenso imediatamente e todos os funcionários do turno da noite foram liberados.

Incidentes rotineiros

Funcionários da fábrica da Sadia denunciam que acidentes no estabelecimento são comuns. Um jovem de apenas 21 anos, que trabalha há mais de um ano no local, conta que, há cerca de cinco meses, ele e um colega se acidentaram. Ele perdeu um dedo e o colega, três dedos. “Estávamos colocando a carne na máquina para fazer salsicha, quando ela pegou meu dedo. Na mesma semana, o mesmo ocorreu com três dedos de um colega”, conta o funcionário. “Eu peguei 15 dias de atestado médico e agora estou trabalhando normalmente. Mas aqui todos os dias têm acidentes. Ou alguém se queima, ou se corta, ou os dedos são esmagados por tampas pesadas que caem em cima”, denuncia o funcionário. O gerente-executivo da fábrica de Brasília não quis comentar esses incidentes.

Gilcélio da Silva, de 47 anos, mora perto da fábrica e diz ser testemunha dos fatos. “Tenho vários amigos que trabalham lá e todos os dias têm histórias de acidentes. Uma vez, uma escaldeira virou em cima de uma pessoa. Ela precisou ser socorrida de helicóptero, porque ficou toda queimada”.

Essa não é a primeira vez que a fábrica pega fogo, mas, ainda assim, funcionários descrevem esse como sendo o incêndio mais grave já ocorrido no local, nos últimos tempos.

Fonte:

http://www.jornaldebrasilia.com.br/site/noticia.php?id=370630